“Tanto tempo do seu lado, que eu não sei mais ir embora. E não quero. Sempre que eu termino um novo amor, é você que me consola. Toda vez que eu preciso de um colo, por qualquer motivo, é pro seu que eu corro. Você recarrega minhas forças, meu amor, minhas esperanças. E quando eu tô completa de novo e aparece um possível romance, a gente se dá uma pausa, pra eu poder me concentrar, tentar uma nova história. Que não flui e eu volto pra você, de olhos fechados, como sempre. E você também tenta suas histórias por aí, mas tudo acaba sempre igual: eu, você e reticências. Não importa quantas vírgulas a gente ponha, imponha, o fim é sempre nós em continuidade. Suas aventuras, as minhas, nada dá certo, mas a gente nunca dá errado. Você sabe o que fazer, como fazer, quando. Você sabe do que eu preciso, melhor que eu mesma. E é por isso que eu me sinto segura. Encosto em você e desabo, porque eu tenho certeza que você sabe como segurar. E sabe mesmo, sabe bem. A gente tem alguma coisa linda, que mesmo sem um nome ou rótulo, me faz um bem sem tamanho. A gente é alguma coisa que nunca foi conversada ou decretada por nós, mas é bem mais que amizade e no fundo você sabe, eu sei. Nossa magia não é segredo. A gente recebe votos de felicidade, o destino conspira a nosso favor e você me irrita só pra me ver brava. O amor grita e a gente finge que não escuta. Eu, por medo de perder a melhor coisa que eu tenho nessa vida. Você, quem sabe? Só sei que você tá certo, sou louca e estranha. Apaixonada e tua.
“Eu sabia que você me faria chorar, mas mesmo assim, eu me mantive lá porque eu te amava.
“Me diz alguma coisa, vai. Me fala tudo aquilo que eu ando louco pra ouvir da sua boca. Sussurra, então. Ou me ensina a receptar telepatia. Porque eu já estourei minha cota de intuição. Diz que me adora, que gosta de mim, que sente saudades minhas e uma vontade insana de me ver em plena quarta-feira. Sei que não muda nada, mas eu preciso ouvir.
“O tempo nem sempre cura tudo. Tenho feridas que já cicatrizaram, mas que insistem em latejar quando o dia está nublado.
“E eu, como estava dizendo, sempre quis ser dessas mulheres imperfuráveis, inatingíveis, inaudíveis e incompreensíveis. Mas nunca consegui. Quando vou ver, já contei minha vida pra primeira pessoa que me deu um pouco de atenção. Já tô rindo alto no restaurante porque não me controlei e fiquei feliz demais. Já escrevi um texto sobre o fulaninho da terça passada… E quando vou ver, lá se foi a mulher misteriosa que eu gostaria tanto de ser. Porque eu jamais poderia ser uma.
“Ontem eu percebi que nem tudo era pra ser. Hoje eu tenho certeza de que tudo o que é pra ser, não tem fim. Eterniza-se meu caro amigo, eterniza-se.
“Nem todo ponto final indica fim de história, pode ser só o começo de um novo parágrafo.
“Ela era igual a lua, fria, vazia, cheia de fases, escura, necessitando de alguém para ser seu sol. Alguém que a faça brilhar, alguém que possa deixá-la cheia, alguém que mostre a ela que pode ser importante. Ela necessita de alguém que não vá deixá-la novamente na escuridão. Aí entra a contradição. Pois uma vez no mês, o sol não ilumina a lua, e depois dele abandoná-la, a bobinha da lua aceita ele, para iluminá-la novamente. Mas ela, ao contrário, não queria alguém que você como bumerangue; que vai a hora que quer e volta a hora que quer. Ela não precisa disso, mas ela era assim. Mesmo não querendo, aceitava todos que abandonaram-a e depois, voltaram a hora que bem entenderam para esse ciclo vicioso recomeçasse.